Aproveitando os últimos dias da exposição CASA/CORPO, a Galeria de Arte do Dmae exibirá dois filmes documentários sobre as artistas Ana Mendieta e Marina Abramovic na próxima terça-feira, 1° de julho a partir das 18h30min no auditório da Galeria. Após a exibição haverá um bate-papo sobre os filmes com o artista Marcelo Gobatto.
Marina Abramovic (Belgrado, Iugoslávia, 1946)
O corpo sempre foi o seu tema e sua mídia. A aposta nos impulsos irracionais foi um dos aspectos determinantes de várias obras de uma das pioneiras daperformancena Arte Contemporânea . Ao longo de sua carreira, a artista desafiou as capacidades físicas e mentais do corpo, como a dor e a exaustão colocando sua integridade em risco com atos de violência calculada. Sob o impacto das guerras na ex-Iugoslávia, a artista voltou-se na última década à reflexão sobre os conceitos de nacionalidade, territorialidade e história da região onde nasceu.
Ana Mendieta(Havana, 1948 -NY, 1985)
A artista parte da experimentação de fins da década de sessenta para achar as soluções, que exploram o corpo como uma afirmação de si mesma e de sua integração no ambiente em que vive. Grande parte do seu trabalho expressa a dor e a ruptura do deslocamento cultural, e ressoa em metáforas viscerais de morte, renascimento e transformação espiritual. Uma figura seminal na prática da arte feminista dos anos de 1970. Em 1972, começou a fazer performances ritualísticas e trabalhos com a terra, nos quais ela mergulhava ou gravava o próprio corpo na natureza. Sangue, fogo, água e outros elementos naturais são essenciais em seu vocabulário extremamente pessoal e muitas vezes mítico. Enterro e regeneração são temas recorrentes. Suas efêmeras 'esculturas corporais de terra' e performances provocantes foram documentadas em filmes e fotografias, quer seja pintando seu corpo com sangue, quer seja queimando, esculpindo e inscrevendo símbolos femininos na paisagem, como na série 'Silueta'. Em algumas obras ela foca o simbolismo do mundo masculino violento contra as mulheres e a marginalização das mulheres no mundo das artes.
'Eu tenho me preocupado no diálogo entre paisagem e o corpo feminino (baseado em minha silhueta). Acho que isso é o resultado direto vindo da falta de ‘'casa' na minha adolescência. Trabalho com o sentimento de casa-útero. Minha arte é a maneira que restabeleço as faixas que me amarram ao universo'. Ana Mendieta
26 de junho, quinta-feira a partir das 19h, na Galeria de Arte do Dmae.
As simbologias da casa engendram uma poética instigante em torno do corpo e têm sido uma constante na produção da arte contemporânea. Seja através de elementos imprescindíveis em um lar, seja pelo aspecto da arquitetura interna e externa, a casa sempre repercute a dimensão humana em seus contextos político-sociais e assim, conseqüentemente reflete o próprio corpo. Porém, não mais limitado em si mesmo. Dentro dessa poética, os artistas convidam o público para um bate-papo sobre a exposição CASA/CORPO e seus processos individuais.
Os artistas e suas obras...
Klinger Carvalhoutiliza móveis na construção de esculturas de grandes dimensões. Agregados em blocos e cercados por grades metálicas, esses móveis reforçam a idéia de inacessibilidade do corpo, tanto em relação à conjuntura interna quanto à externa da casa, suscitando questionamentos a respeito das fronteiras entre casa & corpo e também, entre corpo & mundo. Suas obras abrangem desse modo, um aspecto crítico diante dos conflitos da vida contemporânea. “Variação em Vermelho – O Viajante percorre Territórios Incógnitos” (2006) é a obra que Klinger apresenta na exposição CASA/CORPO.
Dione Veiga Vieirainiciou carreira como pintora e desenhista no início dos anos ’80. A partir do ano 2000, passa a realizar esculturas com materiais diversos e aspecto orgânico. As instalações posteriores desenvolveram uma analogia casa/corpo concomitantemente à poética da ausência do corpo através do uso de móveis, objetos e fotografias. Na exposição CASA/CORPO, a artista apresenta uma instalação com móveis em cor preta, louças brancas e artefatos metálicos, prosseguindo assim, com as metáforas de ausência assinaladas pelo estranhamento. A obra apresentada é a "Ante-sala e Sala de Recepção", 2008. (Imagem Fábio Del Re).
Luciano Zanette e Gabriela Picolirealizam instalações conjuntas que utilizam esculturas elaboradas a partir de móveis e intermediadas por imagens fotográficas; obras que possuem referências diretas do corpo e acima de tudo, densas reflexões sobre as relações humanas. Em 1998 fundaram o projeto Comfluência, juntamente com Jerri Rossato Lima, Marcio Quadrado e Simone Bernardes. Luciano Zanette também participa, desde 2002, do coletivo P.O.I.S com os artistas Marcelo Gobatto e Claudia Paim. Na exposição CASA/CORPO, Zanette apresenta a escultura intitulada CASA-TRABALHO construída com madeira e asfalto formando um diálogo misterioso e envolvente junto às fotografias de Gabriela Picoli, imagens que nos lembram *de como este corpo é moldável, adaptável e sempre rico em possibilidades. (*Claudia Paim, 2005. Trecho do texto "Do estado amoroso à melancolia e vice-versa" no folder da exposição O Estado Amoroso e a Melancolia).
Laura Cattani e Munir Klamt – Grupo-Ío –apresentam espetáculos multimídias e exposições com uma atmosfera carregada e onírica baseada na biografia de um personagem pinçado nos arquivos da história local: A. Hilzendeger Feltes. Dentro dessa proposta desenvolvida desde 2003, os dois artistas utilizam vários elementos relacionados à imagem da casa, como móveis e roupas do vestuário feminino e masculino, para compor instalações numa fábula visual repleta de reminiscências do corpo. Ambos apresentam três instalações na exposição Casa/Corpo: "A Quarta Parede", "Miasmas" (imagem ao lado) e "Galho Fumante".
Marcelo Gobatto, videoartista, professor, produtor e diretor de vídeo desde 1990; integrante do grupo P.O.I.S, juntamente com Luciano Zanette e Claudia Paim. Suas obras elaboram fundamentalmente a questão do tempo. Na exposição CASA/CORPO, Gobatto apresenta uma videoinstalação cuja seqüência de imagens é cuidadosamente concebida para uma atenta fruição do espaço-tempo de uma casa. O foco sobre os vários objetos e móveis vasculham os vestígios da história de um corpo: suas memórias afetivas, suas crenças e hábitos cotidianos. Maria é o nome dessa casa-corpo que, delicadamente, vai se desvelando sob as sensíveis lentes do artista, em um universo pleno de luz. Além de "Maria", (2007), Gobatto nos apresenta "Experimento Corpo Um", (2008), vídeo em que o artista explora as características arquitetônicas do próprio lugar da exposição investigadas com relação ao seu próprio corpo (imagem acima).
Exposição CASA/CORPO - com Marcelo Gobatto, Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío), Klinger Carvalho, Luciano Zanette, Gabriela Picoli, Dione Veiga Vieira. Galeria de Arte do Dmae - Rua 24 de Outubro, 200 – CEP 90510-000 – Porto Alegre / RS - (51) 3289 9722Visitação:10 de junho a 26 de julho de 2008. Segunda a sexta-feira (exceto feriados). Das 08h às 17h30min. Encontro com os artistas: dia 26 de junho de 2008, às 19h.
Imagens de Experimento Corpo Um, (2008) – videoinstalação de Marcelo Gobatto na exposição CASA/CORPO, Galeria de Arte do DMAE.
Exposição CASA/CORPO - com Marcelo Gobatto, Laura Cattani e Munir Klamt (Grupo-Ío), Klinger Carvalho, Luciano Zanette, Gabriela Picoli, Dione Veiga Vieira. Galeria de Arte do Dmae - Rua 24 de Outubro, 200 – CEP 90510-000 – Porto Alegre / RS - (51) 3289 9722Visitação:10 de junho a 26 de julho de 2008. Segunda a sexta-feira (exceto feriados). Das 08h às 17h30min